8 de julho de 2026
Em Pinhel, a organização Hawk Stars NGO está a promover o projeto Global Village – ITC, uma iniciativa que pretende reconverter um edifício devoluto num centro multifuncional dedicado à educação, à inovação, à cultura e ao impacto social.
Pode dizer-se que este projeto é a “menina dos olhos” desta associação sediada em Pinhel. Com o lema “pensar global, agir local”, a Hawk Stars procura “ser uma plataforma líder de apoio aos jovens, promovendo sinergias entre a educação, a formação, a juventude e a aprendizagem ao longo da vida e também no empreendedorismo”, explica Ângelo Videira dos Santos, presidente da ONG. A organização tem como missão principal “regenerar territórios, trazer novas oportunidades para territórios rurais e contribuir para o seu desenvolvimento e empoderamento”.
O Global Village, o principal projeto de empreendedorismo social da entidade, prevê a recuperação de um edifício no Centro Histórico da cidade para transformá-lo num “motor de desenvolvimento e futuro”.
A futura “aldeia global” funcionará como um centro internacional de formação, com diversas valências. Disporá de dois espaços distintos de áreas de Co-working. Um rotativo, pensado para “os nómadas digitais e as pessoas que nos visitam de fora”, e um segundo focado na “incubação de empresas, nomeadamente ao apoio ao desenvolvimento de planos de negócios, à procura e atração de investimento”. Pretende-se, também, que possua salas de formação, que serão espaços com todas as condições necessárias para executar projetos internacionais, nomeadamente os dinamizados através do programa Erasmus. Para além disso, estará equipada também com um estúdio de música, onde o objetivo passa por criar uma “editora social” para que “um jovem com talento musical não tenha que pagar milhares de euros para conseguir iniciar a sua carreira”. Disponibilizará, também, uma sala dedicada à capacitação tecnológica, nomeadamente “na área da inteligência artificial e na área mais ligada à juventude, à promoção do gaming responsável”.
O objetivo central é criar um espaço dinâmico onde os jovens possam aprender novas competências e encontrar condições para permanecer no território. “Sentimos que muitas das coisas que podemos fazer como associação e através deste projeto em específico é garantir que um jovem, quando acaba o seu curso universitário, não tenha obrigatoriamente que sair de Pinhel. E que possa ter a oportunidade de escolher ficar”, sublinha Ângelo Videira dos Santos.
A visão colaborativa do projeto estende-se a todas as suas vertentes. O trabalho conjunto é uma mais-valia para o enriquecimento das ideias e até a encomenda do próprio projeto de arquitetura refletiu essa filosofia.
A associação contactou duas arquitetas de Pinhel de gerações e especialidades diferentes. “Juntámos sinergias das duas arquitetas para, desde a própria conceção do projeto, começarmos a desenvolver algo maior (…) que demonstra logo a inclusão de pessoas e pensamentos diferentes para uma ideia comum. O nosso objetivo ao avançarmos com esse projeto é criarmos comunidade”, detalha o responsável. A intenção é que, no futuro, os projetos incubados possam “beber das coisas positivas que as outras áreas da associação” desenvolvem.
Para viabilizar a iniciativa, que já conta com projetos aprovados na Câmara Municipal e um investimento próprio de cerca de 15 mil euros em arquitetura e especialidades, a organização lançou uma campanha de crowdfunding.
A meta passa por “angariar 100 mil euros, com o objetivo de iniciarmos a obra e fazermos a primeira fase”. Ângelo Videira dos Santos clarifica que o financiamento será misto: “Procuramos fundos europeus e investimento externo diretamente ligado aos donativos e ao mecenato e o objetivo de abrirmos o crowdfunding foi precisamente ajudar a criação de um fundo de maneio (…) e demonstrar uma percentagem de autofinanciamento”.
Aberto há cerca de um mês e a decorrer durante os próximos oito meses, o financiamento colaborativo reuniu até ao momento, 8 de julho de 2026, cerca de 3.675 euros de 36 doações distintas. As contribuições são reconhecidas fisicamente no novo edifício: “A partir dos 250 euros, por exemplo, uma pessoa pode colocar o seu nome numa cadeira do edifício, a partir dos 500 uma pessoa pode colocar o seu nome, até três apelidos, numa das paredes (…) a partir de 1500 uma empresa pode colocar o seu logotipo”.
Nesta fase, o grande foco é atingir um patamar de doações (cerca de 10 mil euros provenientes de mais de 50 dadores) que confira uma maior credibilidade à campanha. Esse passo é essencial para, mais tarde, “termos algum tipo de credibilidade quando formos falar com grandes empresas (…) que têm nos seus quadros objetivos de responsabilidade social e de investimento social”, conclui o responsável.
As contribuições podem ser feitas e acompanhadas em tempo real no site oficial do projeto: https://www.gofundme.com/f/global-village-international-training-center?utm_campaign=fp_sharesheet&utm_content=amp20_t1&utm_medium=customer&utm_source=whatsapp&lang=en_GB.